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Terremoto Mãe

Formato

Longa-metragem

País de Produção

Brasil

Produção

Estúdio Giz

Etapa

Desenvolvimento

Previsão de Lançamento

2028

Financiamento

ANCINE, FSA/BRDE

Direção

Will Domingos

Aos domingos, Antonia (33 anos) atravessa a Zona Oeste do Rio de Janeiro dirigindo, veste um colete à prova de balas, e recebe um tiro dado por um mascarado. Esse estranho ritual é a forma que a jovem mãe encontra para lidar com o trauma de perder o filho. A identidade do atirador segue um mistério mesmo quando é revelada: ele é idêntico a Luan, seu filho assassinado por homofobia, e é pago por Antonia para cumprir esse ritual. Quando conhece Selma, uma hacker midiativista de um grupo de mães em luto, Antonia se divide entre uma nova chance de superação do luto e a convivência dolorosa com o mascarado e sósia de Luan. Mas quando Selma promete respostas em torno do assassinato de seu filho, Antonia se insere num submundo de ativismo de guerrilha e atos de vingança, iniciando uma jornada de renascimento que a transforma em um alvo político.

Nota de Direção
À primeira vista, Luan, filho gay assassinado de Antonia, é mais uma vítima da homofobia. Inspirada pelo horror de uma mãe que teme não proteger o filho do mundo, Antonia torna-se refém da culpa. Embora tenha motivos para se revoltar, sua trajetória é marcada pela recusa da morte: um luto não elaborado que a lança, ao lado do doppelgänger do filho, em um labirinto de melancolia. É daí que emerge uma dramaturgia sombria, voltada às subjetividades em crise.

A dimensão distópica se constrói na expressividade visual e sonora, articulando elementos como o controle miliciano na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Inspirada em Lynne Ramsay e Krzysztof Kieslowski, a direção aposta em montagem dissociativa, close-ups, fragmentação e câmera instável para traduzir o luto e a violência. A direção de arte explora duplicidade, com reflexos e espelhos.

No segundo ato, a aproximação da vingança traz planos abertos e rigor formal, ampliando o suspense. A trajetória de Antonia tensiona o empoderamento feminino ao caminhar para uma desconstrução ética. Ao final, integrada a uma seita extremista, ela testemunha o colapso do arquétipo materno.

Em meio à crise de segurança no Rio, descobre-se que Luan foi apenas mais uma peça descartável — um acaso trágico em um sistema de violência estrutural.

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