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Rua da Misericórdia
Formato
Longa-metragem
País de Produção
Brasil
Produção
Estúdio Giz, Ritornelo, Kiwi
Etapa
Desenvolvimento
Previsão de Lançamento
2028
Financiamento
RioFilme
Direção
Vitã
Século XIX. Um homem negro fugido da escravidão encontra na Marinha uma promessa precária de liberdade. A bordo de uma corveta, Amaro — conhecido como “Bom-Crioulo” — se apaixona por Aleixo, jovem grumete branco, iniciando um romance secreto sob a disciplina violenta da chibata. Ao chegarem no Rio de Janeiro, encontram refúgio no sobrado da portuguesa Dona Carolina, situado na Rua da Misericórdia. Lá, finalmente conseguem um quartinho para viver suas fantasias. Porém, Amaro é transferido para outro navio e impedido de ir à terra. Em sua ausência, Aleixo frequenta zonas de pegação e se envolve com Carolina. Quando Amaro descobre, fica doente de ciúmes e confronta o jovem, levando a um desfecho escandaloso. Paralelamente, a história é escrita em um livro por Caminha, oficial que convive com os marinheiros na corveta.
Nota de Direção
Em 2018, tive meu primeiro contato com o romance Bom-Crioulo (1895), um dos vestígios mais antigos de sexualidades dissidentes na literatura latinoamericana. Desde então, desenvolvo sua adaptação, que será meu primeiro longa ficcional como diretora.
O projeto dialoga com um público contemporâneo por meio de uma narrativa sobre desejo e liberdade, preservando a força da obra de Adolfo Caminha enquanto a reinterpreta à luz de debates atuais sobre raça, gênero e sexualidade, evitando estereótipos. Trechos do romance surgem em voz over, lidos com ironia por uma atriz nunca vista, criando ora complementaridade, ora fricção com as imagens. Há também uma dimensão metalinguística: o próprio Caminha aparece como personagem, incorporando a escrita à diegese.
O elenco será majoritariamente queer, com corpos dissidentes dos padrões históricos. A ambientação do Rio imperial parte de locações preservadas, combinadas a arquivos e desenho de som imersivo. A intimidade é encenada com sutileza, mantendo classificação de 16 anos. A direção de arte assume estética barroca e anacrônica, enquanto a trilha mistura temporalidades afrodiaspóricas. A fotografia evoca um passado indefinido.
O filme confronta o passado sem suavizá-lo, fazendo do atrito sua força: entre o que se vê e o que se imagina, o desejo emerge como potência política incontornável.


